domingo, 16 de janeiro de 2011

Sollie 17

Edward Kienholz nasceu em 1927, em Fairfield no estado de Washington. Durante um curto período estudou em duas diferentes universidades da costa oeste, não tendo obtido qualquer formação profissional.
Alguns anos depois, mudou-se para Los Angeles onde abriu a “Now Galerie”, que acaba por encerrar e, abre a “Ferus Gallery” juntamente com Walter Hopps. É nesta fase que inicia a sua carreira como artista, trocando ideias e conhecimentos com o seu parceiro e através da utilização dos seus conhecimentos na área da mecânica e carpintaria começa a sua produção. É precisamente na “Ferus Gallery” que exibe a sua primeira instalação, à qual dá o nome “Roxy”.
Em 1972 casa com Nancy Reddin, que se torna sua parceira em quase todos os seus trabalhos. Um ano depois muda-se para Berlim onde estabelece o seu atelier. Morreu em 1994 de ataque cardíaco.
Na obra “Sollie 17” este apresenta-nos 3 idosos que se encontram em actividades distintas, num cenário muito sujo e descuidado, com apenas alguns objectos do quotidiano. Um dos personagens situa-se no canto do compartimento de frente para a janela e podemos dizer que pela posição em que este tem a mão, entre o braço e o tronco, se encontra descontraído e pensativo, de quem simplesmente só se preocupa em apreciar a paisagem industrial que a janela lhe oferece. O segundo personagem está sentado à beira da cama, com um ar preocupado, doente e até de sofrimento, como alguém que tem graves problemas e não sabe como os resolver. O terceiro homem está deitado na cama a ler um livro e tem uma das mãos dentro dos boxers. Esta é a parte humorística de toda a instalação, que nos faz pensar que o personagem está com pensamentos perversos ou pelo menos o tema de leitura parece induzi-lo a tocar-se.
O ambiente que os envolve contém objectos banais e regulares do nosso dia-a-dia o que nos transmite a ideia de que ali está representado mais um dia de rotina, em que três homens se rendem a esses hábitos, como quem já não espera nada da vida. Existe ali uma rendição à velhice. Os rostos estão a duas dimensões e a preto e branco o que simboliza uma ausência de alma, de alguém que já não está presente psicologicamente. 
 Ao retratar este estado, Kienholz faz uma crítica à sociedade desmotivada, em decomposição, sem interesses nem objectivos para o futuro, que já só vive a vida para chegar à morte.

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